Com 2.745 pessoas desaparecidas em 2025, Pernambuco está entre os 10 estados com mais casos no Brasil

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Com 2.745 pessoas desaparecidas, Pernambuco está entre os 10 estados com mais casos no Brasil De acordo com o painel de indicadores estatísticos de desaparecimentos, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Pernambuco registrou 2.745 casos de pessoas desaparecidas em 2025, ficando em nono lugar entre os estados com maior número de ocorrências no Brasil (veja vídeo acima). O dado representa uma média de quase oito desaparecimentos por dia. A maioria é homem, chegando a 1.674 pessoas do sexo masculino, o que equivale a 61% dos casos. Entre todos os desaparecidos no ano passado, apenas 271 pessoas foram encontradas. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O recorte para crianças e adolescentes também é expressivo. Ano passado, 695 pessoas entre zero e 17 anos desapareceram no estado. O número equivale a uma média de dois casos por dia. Para a cuidadora de idosos Girlaine Rodrigues, ter um filho nas estatísticas de desaparecidos é conviver diariamente com a dor e a angústia de não saber o que aconteceu. Hoje com 18 anos, Vinícius Rodrigues dos Santos desapareceu em fevereiro de 2015, quando tinha 8 anos. Quando sumiu, ele brincava em frente à casa da família, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. "Eu disse pra ele, Vinicius, não saia, fique em casa. E ele: 'não, mainha, não vou sair, não'. Quando ele saiu, a gente já sentiu falta dele. Minha filha e eu fomos atrás, a gente andou na rua, mas não encontrou. A gente sempre encontrava ele brincando, correndo, mas nesse dia a gente não conseguiu encontrar, até hoje. (...) Eu queria saber o que aconteceu, isso me machuca, me dói, a cada dia que passa", conta a mãe. Vinícius Rodrigues dos Santos desapareceu em fevereiro de 2015, quando tinha 8 anos Reprodução/TV Globo O filho da dona de casa Joselane Maria da Silva, Kauã Francinaldo da Silva, também está desaparecido desde setembro de 2025. Ele tinha 13 anos quando sumiu. A mãe conta que Kauã saiu de casa, em Sirinhaém, na Zona da Mata Sul do estado, e nunca mais voltou. Cinco meses depois, a família segue sem respostas. "Ele saiu da minha casa por volta das 20h40, mais ou menos, para ir para casa da minha mãe, que fica em frente à minha. Por volta das 7h, fui na casa da minha mãe e pedi para chamar ele para ir me ajudar com algumas coisas. Ela disse 'oxe, Kauã não está aqui, não'. (...) É uma dor muito grande para uma mãe não poder ver seu filho pela última vez, nem que seja sem vida", contou. Kauã Francinaldo da Silva desapareceu em setembro de 2025, quando tinha 13 anos Reprodução/TV Globo Dados genéticos Um banco nacional de perfis genéticos tem ajudado na identificação de pessoas desaparecidas no Brasil. O sistema funciona da seguinte forma: quando uma pessoa desaparece e não consegue se identificar às autoridades, ou morre sem documentos, o material biológico pode ser coletado e inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O segundo passo é o familiar procurar uma unidade de Polícia Científica para fazer a coleta do próprio material genético. Em Pernambuco, além do Recife, há outras nove unidades distribuídas pelo estado: Afogados da Ingazeira; Arcoverde; Caruaru; Garanhuns; Nazaré da Mata; Ouricuri; Palmares; Petrolina; Salgueiro. Segundo a perita criminal Camila Reis, o banco reúne tanto perfis relacionados a mortes violentas, para auxiliar investigações, quanto dados voltados à identificação de pessoas desaparecidas e não identificadas. "Esse é um grande banco de dados que reúne tanto as mortes criminais, com o intuito de auxiliar as investigações, quanto um banco de dados específico para a identificação de pessoas desaparecidas, pessoas não identificadas, que vem tanto com o viés das pessoas que vem a falecer, não tem a identidade conhecida e são cadastradas nesse banco, quanto de familiares que buscam pessoas da sua família, que estão desaparecidas e que podem estar cadastradas nesse banco", explica. Desde o início do funcionamento do banco, 726 pessoas foram identificadas no Brasil. Em Pernambuco, foram 146 identificações por meio da prova de DNA. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), o estado é um dos que mais registraram reconhecimentos. "Quanto mais pessoas vêm às unidades de Polícia Científica e coletam seus dados biológicos e são cadastradas nesse banco, maior é a nossa possibilidade de encontrar essas pessoas parecidas ou com identidade desconhecida que estão cadastradas", explica. Ela explica ainda que o ideal é que o parente que realize a coleta tenha grau de parentesco próximo, como pais, filhos ou irmãos. Os perfis são cruzados no banco de dados e, em caso de resultado positivo, quando é identificado vínculo familiar, a delegacia responsável pelo caso entra em contato com a família. Como registrar o desaparecimento Delegada Tereza Nogueira, titular da Delegacia de Desaparecidos e de Proteção à Pessoa (DDPP) Reprodução/TV Globo De acordo com a Polícia Civil, o registro pode ser feito em qualquer delegacia. No Recife, há o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conta com a Delegacia de Desaparecidos e Proteção à Pessoa (DDPP), especializada nesses casos. A unidade fica no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. A delegada Tereza Nogueira, titular da DDPP, explica que não existe prazo mínimo para registrar a ocorrência de desaparecimento "Não existe um tempo mínimo para o registro de ocorrência. Eu costumo dizer que é a partir da razoabilidade. Se você já tem indícios mínimos de que aquela pessoa desapareceu, se aquela pessoa tem um cotidiano muito metódico, você já fez algumas ligações, e nada da pessoa, vale a pena procurar a delegacia mais próxima", detalha. Segundo a delegada, as investigações não são encerradas enquanto houver indícios ou novas informações. "Enquanto durarem indícios, enquanto informações chegarem para investigação, essa investigação não se encerra. Recentemente, a gente teve um caso, nós conseguimos prender três suspeitos por um homicídio qualificado de um fato ocorrido há quatro anos. (...) Infelizmente, o corpo, a ossada, dessa vítima foi localizada e a gente pode, enfim, dar algum tipo de alento aquele pai que nunca desistiu dessa investigação", afirma. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/02/20/com-2745-pessoas-desaparecidas-em-2025-pernambuco-esta-entre-os-10-estados-com-mais-casos-no-brasil.ghtml


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