Candidatos ao governo de MG fazem 1º debate marcado por dívida do estado, segurança, privatização, IPVA e terras raras

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Debate na Band com candidatos ao governo de MG em 16 de agosto de 2026 Reprodução/Band Minas Os candidatos ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD) protagonizaram neste domingo (16), na Band, o primeiro debate do 1º turno. Patrus Ananias (PT) informou que não participaria do encontro, porque estaria em um evento do presidente Lula (PT), em São Paulo. O debate estava previsto para a semana passada, mas foi adiado devido às indefinições sobre as candidaturas ao governo do estado. ➡️ O programa foi dividido em quatro blocos, com perguntas do mediador e de jornalistas, além de confrontos diretos entre os candidatos. No primeiro bloco, os candidatos responderam à mesma pergunta comum elaborada pelo mediador sobre a dívida do estado e a prioridade da gestão para lidar com o rombo fiscal nos primeiros 100 dias. Cada um teve um minuto e meio para responder. Em seguida, houve confronto direto. Os candidatos tiveram à disposição uma lista de 10 temas pré-selecionados pela organização. Cada candidato pôde perguntar e responder uma única vez, e cada tema pôde ser escolhido apenas uma vez. Os tempos foram estritamente definidos em 30 segundos para a pergunta, dois minutos para a resposta, um minuto e meio para a réplica e um minuto para a tréplica. Por sorteio, Mateus Simões foi o primeiro a perguntar. O segundo bloco foi marcado por confronto direto entre os candidatos, desta vez com temas livres, sob a regra de que cada participante faria uma pergunta e responderia a outra. Definido por sorteio prévio, o candidato Cleitinho Azevedo abriu a rodada de perguntas. Para este bloco, as regras de tempo determinaram até 30 segundos para a formulação da pergunta, dois minutos para a resposta, até um minuto e 30 segundos para a réplica e um minuto para a tréplica. No terceiro bloco, os candidatos responderam a perguntas feitas por jornalistas da Band Minas sobre temas relacionados à administração pública, economia, segurança, infraestrutura e serviços à população. Após cada resposta, um adversário previamente definido teve espaço para comentar o posicionamento apresentado. Cada candidato pôde responder a uma pergunta e comentar a resposta de outro concorrente apenas uma vez. O tempo foi de até 30 segundos para a pergunta, dois minutos para a resposta e um minuto para o comentário. No quarto e último bloco, o debate manteve o confronto direto com perguntas e respostas entre os candidatos, mas em um formato simplificado por uma questão de tempo. Desta vez, a dinâmica ocorreu sem direito a réplica e tréplica. Em seguida, o programa caminhou para o encerramento com as considerações finais de cada participante. Agora no g1 Dívida do estado O candidato Alexandre Kalil (PDT) criticou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e classificou o acordo como uma "agressão a Minas Gerais". Segundo ele, as regras aprovadas para o pagamento da dívida podem comprometer a capacidade financeira do estado nos próximos anos. Kalil afirmou que sua prioridade seria buscar uma nova negociação em Brasília. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) defendeu o diálogo com o próximo presidente da República, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. Ele afirmou que a redução da dívida passa pela revisão de benefícios fiscais concedidos a empresas, pelo combate à sonegação e pelo aumento da arrecadação estadual. Segundo o candidato, nenhum governador conseguirá quitar o passivo em apenas um mandato. Já Flávio Roscoe (PL) disse que pretende mobilizar a bancada mineira no Congresso Nacional para renegociar as condições do Propag. Para ele, o modelo atual pode limitar investimentos públicos nos próximos anos. Roscoe também prometeu reduzir entraves burocráticos para estimular o empreendedorismo e ampliar a arrecadação do estado. Gabriel Azevedo (MDB) saiu em defesa do acordo aprovado para renegociação da dívida. Segundo ele, o programa foi amplamente debatido pelas instituições mineiras e permite ao estado quitar o débito sem pagamento de juros, desde que haja controle das despesas. O candidato afirmou que pretende equilibrar as contas públicas, rever incentivos fiscais e criar um órgão independente para monitorar os gastos do governo. Já o governador Mateus Simões (PSD) afirmou que a atual gestão já reduziu parte da dívida estadual e defendeu a continuidade das negociações com a União. O candidato criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que Minas não recebe de volta, em investimentos, recursos proporcionais aos valores enviados ao governo federal. Simões também cobrou maior rapidez na análise das propostas apresentadas pelo estado para o pagamento do débito. Feminicídio e segurança pública O primeiro confronto direto da noite foi aberto por Mateus Simões, que escolheu o tema "feminicídio" para questionar Alexandre Kalil. O governador citou uma entrevista concedida por Kalil em 2022 e pediu que o adversário explicasse declarações nas quais teria tratado a violência doméstica e o feminicídio como temas complexos e que não seriam responsabilidade do governo estadual. Na resposta, Kalil criticou a gestão da segurança pública em Minas Gerais. O candidato afirmou que há déficit no efetivo das forças de segurança, reclamou da remuneração dos policiais e citou ações adotadas durante sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte, como a criação da Casa Sempre Viva, voltada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência. Ele também acusou o governo estadual de sucatear a estrutura de atendimento às mulheres e disse que delegacias especializadas enfrentam dificuldades de funcionamento. Na réplica, Simões afirmou que o adversário tentava transferir para as polícias a responsabilidade pelo combate ao feminicídio. O governador ressaltou que as polícias Militar e Civil de Minas Gerais são comandadas por mulheres e destacou medidas adotadas pela gestão estadual para enfrentar a violência contra a mulher, entre elas a ampliação das delegacias especializadas e a criação das chamadas visitas tranquilizadoras, destinadas ao acompanhamento de vítimas de violência doméstica. Já na tréplica, Kalil voltou a defender seu histórico na área e afirmou que as iniciativas adotadas em sua gestão municipal produziram resultados concretos. O candidato também reiterou as críticas ao governo estadual, dizendo que a estrutura de segurança pública perdeu capacidade de atendimento nos últimos anos. Privatização da Cemig O senador Cleitinho Azevedo questionou Gabriel Azevedo sobre o seu posicionamento em relação à privatização da Cemig. Cleitinho declarou-se contra a venda da estatal devido ao seu lucro anual de R$ 5 bilhões, mas criticou severamente o fato de a empresa ter se tornado um "cabide de emprego e negociação política". Ele defendeu que o lucro da estatal deveria se reverter em tarifas mais baratas para o cidadão e para o produtor rural, em vez de beneficiar acionistas. Gabriel Azevedo concordou com a oposição à privatização e confirmou que a Cemig "já está sendo privatizada" informalmente ao virar um "feudo de indicação política". Ele revelou que a empresa estatal foi incluída na lista de R$ 88 bilhões em ativos oferecidos pelo governo do estado à União para amortizar 20% da dívida pública, tendo sido avaliada em R$ 13,5 bilhões. Gabriel prometeu que, sob seu governo, a Cemig não será privatizada, mas passará a investir em tecnologia fotovoltaica, na exploração de lítio e em pesquisas para baratear a conta de luz. Mineração e sustentabilidade Ao ser questionado por Gabriel Azevedo sobre a mineração na Serra do Curral, Flávio Roscoe defendeu que a mineração legal é "vital" e que o estado depende do setor para se sustentar economicamente. Roscoe argumentou que o setor mineral ajuda a preservar áreas de conservação na Região Metropolitana de Belo Horizonte, citando Nova Lima como um município preservado pelas próprias mineradoras. Ele frisou que a Serra do Curral é tombada e deve ser preservada, defendendo punição rigorosa e força da lei contra empreendimentos irregulares. Gabriel Azevedo rebateu e apresentou a proposta de criação do Parque Metropolitano da Serra do Curral para proibir de vez a mineração no local. Gabriel também propôs a criação de um fundo soberano, garantindo que os recursos da mineração sejam aplicados no desenvolvimento educacional e em infraestrutura, como ferrovias, em vez de serem destinados a gastos correntes das prefeituras ou shows municipais. Infraestrutura e as condições das rodovias No encerramento do bloco de confrontos, Flávio Roscoe questionou Mateus Simões sobre a situação das estradas estaduais. Ele apontou que a má conservação encarece o custo de vida dos mineiros e prejudica o transporte de mercadorias. Ele afirmou que, sob a sua coordenação e do ex-governador Zema, o estado realizou o maior volume de investimentos em recuperação asfáltica das últimas três décadas. O candidato também argumentou que faltam recursos e que o estado precisaria de R$ 4 bilhões anuais, em vez dos R$ 2 bilhões atualmente investidos. IPVA e apreensão de veículos Cleitinho Azevedo escolheu Gabriel Azevedo para responder a uma pergunta sobre a apreensão de veículos em blitzes por falta de pagamento do IPVA. O senador disse ser favorável às operações de combate ao crime e à recuperação de veículos roubados, mas afirmou que o estado não deveria apreender carros de contribuintes inadimplentes apenas por débitos relacionados ao imposto. Na resposta, Gabriel criticou a política tributária do governo estadual e afirmou que pequenos contribuintes enfrentam cobranças rigorosas, enquanto grandes empresas são beneficiadas com incentivos fiscais. O candidato também defendeu seu histórico como vereador em Belo Horizonte e argumentou que o poder público precisa adotar medidas que beneficiem a população de menor renda. Na réplica, Cleitinho afirmou que, se eleito governador, pretende impedir por decreto a apreensão de veículos motivada exclusivamente por dívidas de IPVA. O senador também criticou a qualidade dos serviços prestados pelo estado e lembrou iniciativas de sua autoria voltadas à redução de custos para os proprietários de veículos. Na tréplica, Gabriel destacou sua experiência na administração pública e afirmou ter adotado medidas de controle de gastos quando presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte. Trabalhadores por aplicativo e troca de ataques Gabriel Azevedo questionou Alexandre Kalil sobre propostas para motoristas de aplicativos e afirmou que o tema recebeu pouca atenção no plano de governo do adversário. Também lembrou divergências ocorridas durante a gestão de Kalil na prefeitura em relação ao funcionamento desse tipo de serviço. Kalil respondeu que prefere o contato direto com a população e afirmou ter buscado diálogo entre motoristas de aplicativo e taxistas durante sua administração. O candidato negou ter atuado contra a categoria e ressaltou resultados eleitorais obtidos em Belo Horizonte. Ele também ironizou críticas feitas por Gabriel e contestou a forma como o adversário vinha conduzindo o debate. Na réplica, Gabriel afirmou que o comportamento de Kalil demonstrava dificuldade para lidar com divergências e ressaltou propostas voltadas aos trabalhadores de aplicativos, incluindo a criação de espaços de apoio em parceria com prefeituras. Na tréplica, Kalil disse que suas críticas não tinham o objetivo de desqualificar professores e voltou a atacar o adversário, fazendo referências à trajetória política e à vida pública de Gabriel. Corrupção e uso de recursos públicos Alexandre Kalil escolheu Mateus Simões para debater corrupção e afirmou que integrantes do atual governo costumam destacar a ausência de escândalos, ao mesmo tempo em que ignoram investigações envolvendo a gestão estadual. Simões respondeu dizendo que o governo adotou uma política de afastamento imediato de servidores investigados por irregularidades. O governador também citou operações e casos que resultaram em exonerações e passou a criticar Kalil, mencionando ações judiciais relacionadas ao uso de recursos públicos durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte. Na réplica, Kalil rejeitou as acusações e afirmou nunca ter respondido por corrupção ao longo da carreira política. O candidato também contestou as denúncias envolvendo o uso de aeronaves particulares e classificou as acusações de nepotismo como infundadas. Em seguida, afirmou que a atual gestão estadual foi marcada pela presença de pessoas investigadas ou afastadas por suspeitas de irregularidades. Na tréplica, Simões destacou indicadores de transparência obtidos pelo governo estadual e afirmou que Minas Gerais avançou em mecanismos de controle e fiscalização da gestão pública. Saúde e hospitais regionais Mateus Simões questionou Flávio Roscoe sobre propostas para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes do interior para Belo Horizonte em busca de atendimento de alta complexidade. Roscoe afirmou que o longo transporte de pacientes é um problema que afeta diretamente a qualidade do atendimento e defendeu a conclusão dos hospitais regionais, o aumento da oferta de leitos especializados e a ampliação de parcerias com hospitais filantrópicos. Na réplica, Simões apresentou exemplos de programas implantados durante a atual gestão para ampliar o atendimento de saúde no interior, citando investimentos em serviços especializados e a expansão da rede hospitalar em diferentes regiões do estado. Na tréplica, Roscoe voltou a defender o fortalecimento das instituições filantrópicas e afirmou que elas podem desempenhar papel fundamental na descentralização dos serviços de saúde. Educação e valorização dos professores No último confronto do bloco, Flávio Roscoe perguntou a Cleitinho Azevedo sobre suas propostas para ampliar o uso da tecnologia na educação e valorizar os profissionais da rede estadual de ensino. Cleitinho respondeu que a valorização dos professores deve ser a principal prioridade da educação mineira. O senador afirmou que pretende escolher um secretário da área ligado à carreira do magistério, ampliar o apoio à saúde mental dos profissionais e buscar melhores condições salariais para a categoria. Na réplica, Roscoe destacou sua experiência à frente do Sistema S e afirmou que a tecnologia pode ser utilizada para melhorar o aprendizado e preparar estudantes para as transformações do mercado de trabalho. O candidato citou experiências com ferramentas digitais e metodologias voltadas à inovação. Na tréplica, Cleitinho defendeu a expansão do ensino em tempo integral, parcerias com universidades e melhores condições de remuneração para os professores da rede estadual. Também criticou a diferença salarial entre cargos políticos e profissionais da educação. IPVA e contas dos municípios Questionado sobre a proposta de reduzir o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Cleitinho Azevedo afirmou que a medida não significaria o fim da cobrança do tributo, mas mudanças para aliviar o peso do imposto sobre os proprietários de veículos. O candidato citou o fim da cobrança para automóveis com mais de 20 anos de fabricação e defendeu que a redução da carga tributária pode estimular o consumo, aquecer a economia e compensar eventuais perdas de arrecadação. Cleitinho também disse que pretende estudar mecanismos para tornar Minas mais competitiva em relação a estados vizinhos, onde as alíquotas são menores. Ao comentar a resposta, Mateus Simões alertou para os impactos da medida nas contas dos municípios, que recebem parte da arrecadação do IPVA. O governador afirmou que a mudança aprovada para veículos antigos representou perda de receita para o estado e para as prefeituras. Simões disse concordar com a discussão sobre redução de impostos, mas defendeu que qualquer mudança seja acompanhada de compensações financeiras para evitar prejuízos aos serviços municipais. Isenções fiscais dividem candidatos A política de incentivos fiscais também gerou debate. Alexandre Kalil afirmou que o principal problema não está necessariamente no volume das isenções concedidas pelo estado, mas na falta de transparência sobre os benefícios e seus resultados. O candidato defendeu a revisão dos incentivos e argumentou que alguns setores podem justificar tratamento diferenciado por gerarem emprego e desenvolvimento econômico. Flávio Roscoe discordou da avaliação e defendeu os incentivos fiscais como ferramenta para atrair empresas e investimentos para Minas Gerais. Segundo ele, o fim desses mecanismos tornaria o estado menos competitivo em relação a outras unidades da federação. O candidato também afirmou que a reforma tributária já definiu regras para o encerramento gradual desse modelo de benefício. Triângulo Mineiro e agropecuária Questionado sobre a importância do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas para o desenvolvimento do estado, Mateus Simões destacou sua ligação pessoal com a região e afirmou que a área representa uma das principais forças econômicas mineiras. O governador ressaltou o avanço da agropecuária, da irrigação e da agroindústria e defendeu a continuidade de políticas voltadas para o setor produtivo e para a agricultura familiar. No comentário, Kalil afirmou ter forte relação política com a região e lembrou o convite feito ao ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão para integrar sua chapa. O candidato classificou o Triângulo Mineiro como uma das regiões mais importantes do estado e defendeu maior atenção do governo às demandas locais. Saneamento e privatização da Copasa O saneamento básico foi outro tema abordado pelos jornalistas. Flávio Roscoe defendeu a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) como instrumento para ampliar investimentos e acelerar a universalização dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Segundo ele, a iniciativa privada pode aumentar a capacidade financeira da empresa e expandir o atendimento à população. Gabriel Azevedo adotou posição contrária. O candidato afirmou que se opôs à privatização por temer impactos sobre a tarifa e a qualidade dos serviços prestados. Ele também defendeu maior participação dos municípios no acompanhamento das metas de saneamento e cobrou investimentos mais robustos no tratamento de esgoto. Segurança pública e combate às facções O avanço das facções criminosas em Minas Gerais encerrou o terceiro bloco. Gabriel Azevedo criticou a política de segurança da atual gestão e afirmou que o enfraquecimento da relação entre o governo e as forças policiais abriu espaço para o crescimento de organizações criminosas. O candidato também prometeu valorização salarial dos profissionais de segurança e fortalecimento das polícias. No comentário, Cleitinho Azevedo defendeu o reforço das ações de inteligência das forças de segurança e o fortalecimento das polícias Civil e Penal para combater a atuação das facções, especialmente no interior do estado. O senador também cobrou mudanças na legislação federal e afirmou que pretende ampliar a estrutura de enfrentamento ao crime organizado em Minas Gerais.

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2026/noticia/2026/08/16/candidatos-ao-governo-de-mg-fazem-1o-debate-marcado-por-divida-do-estado-seguranca-privatizacao-ipva-e-terras-raras.ghtml


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